A Novarquitetura e a sustentabilidade

Para a Novarquitetura, sustentabilidade é muito mais do que um assunto do momento com pouca repercussão prática. É a manutenção, em longo prazo, das boas condições e atitudes em termos ambientais, econômicos e sociais. Para que um empreendimento seja sustentável, é preciso que ele seja:

  • ecologicamente adequado;
  • economicamente viável;
  • socialmente justo.

Crescimento sustentado: é o crescimento constante sobre bases estáveis e seguras de recursos (economicamente viável). É uma consequência do uso racional de matérias-primas renováveis e não renováveis, escolhendo adequadamente onde investir e aperfeiçoando as técnicas e relações interpessoais no local de trabalho (socialmente justo).

Gestão sustentável: é a capacidade de gerenciar um empreendimento (ou uma sociedade) por meio de processos que valorizem e aprimorem capitais naturais, financeiros e humanos, conciliando diferenças e pontos de vista diferentes em prol de objetivos comuns.

Conceito atual de sustentabilidade mercadológica: é o conjunto de vantagens, em termos de competitividade de mercado, que um empreendimento pode conseguir ao adotar medidas sustentáveis, interagindo positivamente com pessoas da empresa e da sociedade.


Sustentabilidade e arquitetura

Este é o Tripé da Sustentabilidade. Para que seja estável, todas as partes devem se equilibrar:

novarquitetura-tripe-sustentabilidade


As bases do projeto sustentável são:

  • Preocupação tanto no uso quanto no reuso dos materiais e recursos;
  • REDUZIR o consumo dos recursos, REUTILIZAR sempre que possível, RECICLAR no fim da vida.

Qualidades do edifício verde

Elementos de um edifício verde


  • Eficiência nos recursos – água, energia, materiais;
  • Prevenção da poluição – solo, água, ar;
  • Saúde e conforto dos usuários – qualidade do ar, uso de luz natural, conforto térmico;
  • Adaptação do projeto às condições regionais.
  • Os empreendimentos certificados economizam em torno de 30% em energia, 60% na geração de resíduos e 30% no uso de água.

A utilização de tecnologias e procedimentos para diminuir os impactos no meio ambiente, utilizando com eficiência a água e energia, protegendo a saúde dos ocupantes, melhorando a produtividade dos colaboradores, reduzindo os resíduos, a poluição e degradação ambiental qualificam um Green Building.É ideal que exista um planejamento e que seus conceitos sejam aplicados em cada fase do ciclo de vida do edifício, a seguir:

  1. Concepção
  2. Construção
  3. Operação
  4. Manutenção
  5. Demolição

Os sete passos do planejamento

  • GESTÃO DA OBRA - Análise do local; Aplicação do ciclo de vida da obra; Diretrizes de projeto e de materiais; Projeto de arquitetura, paisagismo e planejamento sustentável; Logística de materiais e recursos em geral.
  • APROVEITAMENTO DOS RECURSOS NATURAIS - Aproveitar os recursos que atuam diretamente sobre a obra, como sol, vento, vegetação, para obter iluminação, conforto e climatização natural.
  • EFICIÊNCIA ENERGÉTICA - Conservar e economizar energia, gerando a própria energia a partir de fontes renováveis como solar e eólica, controlando o calor gerado no ambiente construído e no seu entorno.
  • GESTÃO E ECONOMIA DA ÁGUA - Usar sistemas que permitam reduzir o consumo de água, aproveitando as fontes disponíveis, tratando águas cinzas e utilizando água pluvial para reaproveita-las na edificação, tratando os efluentes.
  • GESTÃO DOS RESÍDUOS DA EDIFICAÇÃO - Criar área no edifício para dispor de resíduos, incentivando a reciclagem.
  • QUALIDADE DO AR E DO AMBIENTE INTERIOR - Criar um ambiente interior saudável aos ocupantes, identificando poluentes internos na edificação e controlando sua entrada, garantindo a saúde dos seus ocupantes.
  • CONFORTO TERMO-ACÚSTICO - Promover a sensação de bem estar relativo à temperatura e sonoridade através de recursos naturais, elementos de projeto, vedação, paisagismo, climatização, dispositivos eletrônicos e artificiais de baixo impacto ambiental.

Fonte: Jerry Yudelson, 2007.


Adequações e vantagens

Projetos já existentes podem passar por adaptações de alguns aspectos, tais como:

  • Iluminação (eficiência, economia, iluminação natural);
  • Uso racional da água (captação, utilização);
  • Qualidade do ar interno e externo: ventilação, fontes poluidora (produtos de limpeza, tintas, pesticidas...);
  • Materiais e recursos (proveniência, renovação, adequação à reciclagem/reuso, composição).

Vantagens para o empreendedor:

  • Provar a sustentabilidade das suas construções;
  • Manter o valor do seu patrimônio ao longo do tempo;
  • Associar a imagem da empresa a preocupações ambientais - credibilidade, organização, responsabilidade;
  • Melhorar o relacionamento com órgãos ambientais e comunidades.

Vantagens para o ambiente e para a sociedade:

  • Economia direta de água e energia - economia significativa dos gastos;
  • Redução das emissões de gases de Efeito Estufa - redução da poluição;
  • Menor impacto na vizinhança;
  • Melhor qualidade interna e externa da edificação - melhoria do conforto;
  • Melhor aproveitamento da infraestrutura local;
  • Redução da produção de resíduos - consciência antidesperdício;
  • Melhores condições de trabalho - maior grau de satisfação e maior produtividade.

Certificado LEED

LEED é o acrônimo de Leadership in Energy and Environmental Design ("Liderança em Design Ambiental e Energia"). É, fundamentalmente, uma avaliação de desempenho ambiental.

Algumas de suas principais características:

  • Sistema americano, aplicado pelo USGBC (United States Green Building Council: "Conselho de Edificação Verde dos Estados Unidos");
  • Considera o impacto gerado no meio ambiente em consequência dos processos relacionados ao edifício: projeto, construção e operação;
  • Usa um checklist com sete categorias:
  1. Sítios Sustentáveis
  2. Consumo Eficiente de Água
  3. Energia e Atmosfera
  4. Materiais e Recursos
  5. Qualidade Ambiental Interna
  6. Inovações na Operação
  7. Prioridades Regionais

Aspectos avaliados pelo LEED

SÍTIOS SUSTENTÁVEIS: implantação; manutenção das áreas externas (uso de químicos, resíduos, controle de pestes, erosão, paisagismo); espaços abertos; transporte alternativo; proteção do habitat; gestão de escoamento superficial; revestimentos e coberturas (redução da ilha de calor); poluição luminosa.

CONSUMO EFICIENTE DE ÁGUA: redução do consumo de água potável; uso eficiente; sistemas de reaproveitamento.

ENERGIA E ATMOSFERA: minimização do consumo de energia; gestão de gases refrigerantes; otimização da performance energética; comissionamento do edifício; utilização de fontes alternativas e energias renováveis; comissionamento.

MATERIAIS E RECURSOS: reuso do edifício e de materiais; política de compras sustentáveis (materiais reciclados, recicláveis e locais; materiais não tóxicos); gestão de resíduos.

QUALIDADE AMBIENTAL INTERNA: desempenho e qualidade do ar interior; iluminação e ventilação natural do exterior; política de Limpeza Verde; comissionamento; controle de poluentes e produtos químicos.

INOVAÇÕES NA OPERAÇÃO: estratégias além dos critérios pontuáveis, como questões de sustentabilidade a nível regional / local; abordagens de design sustentável inovadoras.

PRIORIDADES REGIONAIS: prioridades ambientais específicas da região.


Pontuação para o LEED

A pontuação para obter o certificado LEED pode atingir o máximo de 110 pontos básicos — 100 pontos + 10 pontos de bônus vindos dos aspectos Inovações na Operação e Prioridades Regionais.

O grau das certificações se divide como a seguir:

  • Certificação Básica: 40 a 49 pontos
  • Certificação Prata: 50 a 59 pontos
  • Certificação Ouro: 60 a 79 pontos
  • Certificação Platina: 80 a 110 pontos

Processo AQUA

O AQUA, também uma avaliação de desempenho ambiental, baseia-se na certificação francesa Démarche HQE. Atualmente é implantado no Brasil pela Fundação Vanzolini.

Algumas de suas principais características:

  • Avaliação através dos instrumentos Sistema de Gestão do Empreendimento (SGE) e Perfil de Qualidade Ambiental do Edifício (QAE), distribuídos em 14 categorias.
  • Certificado emitido por fase:
  1. Programa
  2. Concepção (Projetos)
  3. Realização (Obra)
Sustentabilidade industrial

Aspectos avaliados pelo AQUA

GERENCIAR IMPACTOS SOBRE O AMBIENTE EXTERIOR

Eco-construção

01. Relação do edifício com seu entorno

02. Escolha integrada de produtos, sistemas e processos construtivos

03. Canteiro de obras com baixo impacto ambiental

Eco-gestão

04. Gestão de energia

05. Gestão de água

06. Gestão dos resíduos de uso e operação do edifício

07. Manutenção – Permanência do desempenho ambiental

 

CRIAR ESPAÇO INTERIOR SADIO E CONFORTÁVEL

Conforto

08. Conforto hidrotérmico

09. Conforto acústico

10. Conforto visual

11. Conforto olfativo

Saúde

12. Qualidade sanitária dos ambientes

13. Qualidade sanitária do ar

14. Qualidade sanitária da água


Classificações para o AQUA

O AQUA tem três classificações: BOM, SUPERIOR ou EXCELENTE

Para obter uma certificação AQUA o projeto deve conseguir classificar no mínimo três categorias em nível EXCELENTE e não mais do que sete categorias em nível BOM.